Depois de muitos anos afastado da franquia, voltar a jogar Just Dance foi uma experiência cheia de surpresas. Em Just Dance: Decades of Hits, a Ubisoft aposta em uma seleção musical que atravessa diferentes gerações, adiciona um inédito modo história e amplia as possibilidades de diversão em grupo. O resultado é uma edição bastante interessante, mas que também apresenta alguns problemas, especialmente no reconhecimento dos movimentos com os Joy-Con.
A proposta é simples: reunir músicas de diferentes épocas e oferecer uma experiência acessível para jogadores de todas as idades, mesmo aqueles que nunca tiveram contato com videogames. São 35 faixas distribuídas por seis décadas, dos anos 1970 aos anos 2020, criando uma seleção capaz de agradar a diferentes gostos musicais.
E esse é justamente um dos maiores acertos do pacote. Just Dance sempre teve essa característica de ser um jogo para reunir amigos e familiares, sem exigir grandes conhecimentos ou habilidades com controles. Basta escolher uma música, acompanhar os movimentos apresentados na tela e se divertir. Com uma seleção tão variada, fica fácil imaginar diferentes gerações encontrando suas músicas favoritas.
Antes de continuar, vale destacar que você pode acompanhar essa análise por aqui, em texto, ou seguir com o vídeo no canal do Coelho News, sua fonte confiável de tudo que acontece no universo da Nintendo. Bora continuar a leitura?!
A grande novidade: um modo aventura para Just Dance

Entre as novidades de Decades of Hits, o Adventure Mode foi a que mais me surpreendeu positivamente. A franquia apresenta um modo história, adicionando uma estrutura de progressão que vai além de simplesmente escolher uma música e começar a dançar.
Na aventura, acompanhamos Lyra Gigavolt em uma jornada para resgatar seu pai, o Dr. Gigavolt. Para isso, a personagem viaja por diferentes décadas e precisa superar desafios de dança em uma sequência de fases temáticas.
A narrativa é simples, quase como um roteiro de sessão da tarde, mas funciona dentro da proposta do jogo. O modo apresenta cenas animadas, fases musicais, colecionáveis e quizzes com perguntas relacionadas às diferentes épocas exploradas.
Um dos detalhes mais interessantes é o mapa de progressão, que lembra bastante a estrutura de seleção de fases dos jogos clássicos de Super Mario. Em vez de simplesmente selecionar uma música e avançar para a próxima, existe um caminho a percorrer, com diferentes etapas e objetivos.
Os quizzes também merecem destaque. Ao revisitar determinadas atividades, encontrei perguntas diferentes, evitando que a experiência se tornasse repetitiva. É um detalhe simples, mas que demonstra um cuidado interessante com a variedade do conteúdo.
O Adventure Mode não transforma Just Dance em um jogo de aventura propriamente dito, afinal, a dança continua sendo o coração da experiência. Entretanto, oferece um novo contexto para as atividades e uma motivação adicional para continuar jogando. Foi, sem dúvida, a melhor surpresa desta edição.
Observação: Esse modo historia é diferente dos apresentados nos jogos anteriores. Sinto que deixei isso de fora do vídeo e alguns amigos acabaram dando o toque nos comentários.
Party Mode e Workout Mode ampliam as possibilidades

Além da campanha, Just Dance: Decades of Hits apresenta outros dois modos que complementam a experiência.
O Party Mode permite reunir até seis jogadores em partidas locais, utilizando Joy-Cons ou smartphones como controles. A principal novidade está nos eventos dinâmicos que acontecem durante as músicas, introduzindo distrações e situações inesperadas que podem atrapalhar a execução das coreografias.
A proposta combina perfeitamente com a identidade da franquia. Just Dance é, acima de tudo, um jogo para reunir pessoas e provocar boas risadas, mesmo quando ninguém consegue acompanhar perfeitamente os movimentos apresentados na tela.
Já o Workout Mode é voltado para quem deseja transformar as sessões de dança em uma atividade física, acompanhando informações relacionadas ao gasto de calorias e à movimentação durante as partidas.
São opções que ajudam a diversificar o conteúdo e oferecem motivos diferentes para continuar aproveitando o jogo.
O problema do reconhecimento dos movimentos

Se o conteúdo é um dos grandes acertos desta edição, o reconhecimento dos movimentos é justamente o aspecto que mais me incomodou.
Durante muitos anos, joguei Just Dance no Xbox 360 e no Xbox One utilizando o Kinect. Tenho boas lembranças daquela experiência, principalmente pela possibilidade de enxergar meu próprio corpo na televisão e pela sensação de precisão durante as coreografias.
É importante reconhecer que parte dessa comparação pode estar relacionada à memória afetiva. Faz bastante tempo que não jogo utilizando o Kinect, então não considero essa lembrança uma comparação técnica definitiva. Ainda assim, durante minhas partidas em Decades of Hits, senti que alguns movimentos não eram reconhecidos como deveriam.
E aconteceu uma situação bastante curiosa que resume minha frustração: consegui avançar em algumas músicas simplesmente colocando o Joy-Con no bolso da bermuda e balançando a perna enquanto escrevia minhas anotações.
Pode parecer engraçado, mas existe uma questão importante por trás disso. Se consigo avançar nas músicas sem realmente executar as coreografias, até que ponto o jogo está incentivando o jogador a dançar?
Entendo que Just Dance não precisa ser uma experiência punitiva. Sua proposta é justamente permitir que pessoas com diferentes habilidades possam participar e se divertir. Entretanto, existe uma diferença entre tornar a experiência acessível e permitir que movimentos executados de maneira pouco precisa sejam reconhecidos como se estivessem corretos.
Não considero que isso torne o jogo ruim, mas foi um problema recorrente durante minha experiência e acabou prejudicando um pouco a imersão.
Vale ressaltar que esta análise considera a versão de Nintendo Switch original, executada em um Nintendo Switch 2. A edição otimizada para Switch 2 ainda não havia sido disponibilizada durante os testes, portanto, não é possível afirmar se as melhorias e o suporte aos Joy-Con 2 alteram essa percepção.
Vale a pena comprar Just Dance: Decades of Hits?
No geral, Just Dance: Decades of Hits me proporcionou uma experiência bastante positiva. A seleção musical é variada, o Adventure Mode é uma excelente novidade e os diferentes modos oferecem boas possibilidades para quem pretende jogar sozinho ou acompanhado.
A campanha é relativamente simples, mas cumpre seu papel e demonstra que a franquia ainda pode explorar novas ideias sem abandonar sua essência. Já o Party Mode reforça aquilo que sempre tornou Just Dance tão divertido: reunir pessoas e transformar qualquer sala em uma pista de dança.
Outro destaque é o fator replay. Com uma proposta naturalmente voltada à repetição das músicas e à diversão em grupo, existe potencial para retornar ao jogo diversas vezes, especialmente quando há amigos e familiares participando.
Considerando o preço de lançamento de R$ 199,90, considero o valor justo pelo conteúdo oferecido e pelas novidades desta edição.
Minha principal ressalva continua sendo o reconhecimento dos movimentos. Gostaria de encontrar uma experiência mais consistente nesse aspecto, sem que isso significasse tornar as coreografias difíceis ou inacessíveis.
Ainda assim, consigo separar essa questão da qualidade geral do pacote. Just Dance: Decades of Hits tem boas ideias, entrega uma seleção musical interessante e apresenta no Adventure Mode uma das novidades mais legais da franquia.
Se você gosta de Just Dance, procura novas possibilidades para jogar com amigos e familiares ou ficou interessado na campanha inédita, esta edição tem bastante a oferecer.
Meu veredito galera: Just Dance: Decades of Hits é uma evolução interessante para a franquia, com conteúdo variado e novidades que funcionam muito bem. Só espero que a Ubisoft consiga acertar melhor o reconhecimento dos movimentos nas próximas versões.

Avaliação Técnica:
.Direção de Gameplay: 3/3
.Direção Multi-Arte: 2/3
.Desempenho e/ou Funcionalidades: 1.5/2
.Conteúdo e/ou Fator Replay: 2/2
Nota técnica: 8.5/10
Experiência pessoal: A+ — Excepcional.


Resumo da análise
8.5
Nota Técnica
A+
Tier de Experiência
Prós
- Seleção de 35 músicas de seis décadas.
- Adventure Mode divertido e criativo.
- Party Mode para até seis jogadores.
- Quizzes e colecionáveis ampliam a progressão.
- Fator replay e diversão em grupo.
Contras
- Reconhecimento dos movimentos com Joy-Con inconsistente.
- É possível avançar em músicas sem executar as coreografias corretamente.
- Adventure Mode tem narrativa relativamente simples.
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