
O órgão ESRB, responsável pela classificação etária de conteúdo dentro dos Estados Unidos, submeteu ao Federal Trade Commission (FTC) uma proposta para evitar que crianças entrem em contato com jogos violentos, que tenham qualquer teor sexual ou envolva de algum modo o uso de drogas ilícitas. A ideia deles é usar a tecnologia de reconhecimento facial para liberar o uso destes produtos nos videogames.
O documento foi entregue em parceria com a SuperAwesome – uma subsidiária da Epic Games – e da empresa Yoti, especialista em soluções de identidade digital. Dentro da proposta, eles planejam usar o reconhecimento facial para impedir que menores de idade acessem determinados materiais, assumindo que a tecnologia Privacy-Protective Facial Age Estimation pode determinar com precisão a idade das pessoas e isso as impediria de burlar as determinações ou até mesmo ignorá-las.

Além disso, a proposta da ESRB também garante que os arquivos que forem obtidos pela Yoti não serão usados para nenhum outro fim – nem mesmo para treinar ainda mais o seu algoritmo. De acordo com eles, assim que fizesse o upload e sua identidade fosse checada, eles deletariam a imagem. Ainda que haja riscos dentro deste cenário, o órgão afirma que “seus benefícios são predominantes aos consumidores e negócios”.

Um longo caminho para a ESRB

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Vale notar que há diversos problemas nesta proposta da ESRB, principalmente no quesito precisão. Além das questões técnicas sobre a tecnologia da Yoti – como o fato de haver casos de pessoas que aparentam ser mais novas do que sua real idade – também temos o aspecto de que seria necessária uma câmera para cada console de mesa. No caso do PlayStation 5, por exemplo, este acessório já existe. Porém, a Microsoft já abandonou a sua linha Kinect e a Nintendo não passa perto deste recurso há algumas décadas.
A partir disso, entram diversas questões. Mortal Kombat 1 será lançado no Nintendo Switch, por exemplo. Como você poderia se identificar a cada vez que jogar, sendo que o console não carrega uma câmera? Ou melhor pensando, ainda que existisse um aplicativo para smartphones que tenha uma determinada integração, isso exigiria uma boa câmera – algo que pode não ser tão acessível ou desejado por todos. Até mesmo podemos questionar se o smartphone da pessoa, dependendo do modelo, seria compatível ou não com o app. Seríamos obrigados a comprar um hardware novo só por isso?
O FTC está analisando a proposta, com sua permissão ainda pendente sobre o assunto. Mais detalhes devem ser divulgados posteriormente.

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Fonte: Gamerant
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