Rhythm Heaven Groove é o retorno da franquia após longos anos. O último jogo foi lançado para o Nintendo 3DS, mas mesmo ele era praticamente um jogo focado em revisar minijogos passados. Em Groove, não apenas uma chuva de novos minijogos estão presentes, mas o jogo como um todo traz muitas e muitas novidades em formas de extras, tornando esse título, extremamente completo, dando aquela sensação de que “não falta mais nada”.
Isso não quer dizer que o jogo é perfeito. Alguns problemas são típicos da franquia; e outros, deste jogo em específico. Alguns são bobos, outros incomodam. Mas eles tornam o jogo completo uma orquestra desafinada, ou são apenas alguns compassos fora do tempo? Hora de falar sobre o saldo geral.
O Jogo
Rhythm Heaven é uma franquia rítmica. O jogo é uma coletânea de minijogos independentes, que funcionam como fases, ou seja, existe uma progressão, uma ordem de “passe da fase 3 pra acessar a fase 4”, mas cada um deles traz um estilo visual, personagens e principalmente, música e padrões de gameplay diferentes. A ideia é entregar 2 ou 3 padrões rítmicos pro jogador a cada minijogo, e embaralhar esses padrões ao longo dele, dando uma indicação visual e sonora para quando executar e qual deles executar. Ou seja, é um jogo não só sobre ritmo, mas sobre reflexos.
Tecnicamente, todos os minijogos usam apenas o botão A, ou se isso não for o suficiente, um dos direcionais (pra baixo ou pra trás). Apenas 2 botões no máximo. Isso acontece pelo mesmo motivo do fator visual não ser importante para acertar o tempo certo: o jogo quer que você se concentre NA MÚSICA/NO RITMO. O guia visual até existe, mas boa parte dos momentos onde o jogo quer dificultar são justamente quando a tela começa a ficar propositalmente poluída, como o jogo dizendo pro jogador “não dependa dos seus olhos, siga seu ouvido”.
A Nintendo divulgou o número total de minijogos, sendo 80 no total. Esses minijogos estão distribuídos entre: originais, continuações (“minijogo X”, daí “minijogo X-2”) e os tradicionais remixes : minijogos que fecham os capítulos, alternando/misturando os minijogos daquele capítulo, ou seja, adicionando o fator memória na dificuldade.
Ao terminar um minijogo (seja original, sequência ou remix) com bom desempenho, é possível obter uma medalha, e é aqui que Groove vai brilhar dentro da série Rhythm Heaven.
Extras
Enquanto a “campanha” de Groove se mantém como os demais jogos da franquia, a inovação aqui vem por conta dos modos Extras. Diversos modos paralelos são liberados ao jogar mais do jogo, e o mais importante: eles dependem de medalhas para abrir novos conteúdos.
O principal deles é o Beatspell, um RPG rítmico onde temos que usar magiar de ataque, cura, aplicação de buffs e tudo mais usando o ritmo daquela magia. Cada uma delas tem um padrão diferente e o jogo não é de turno, então, essas magias devem ser usadas em sequência e não apenas isso, mas ainda temos que observar os padrões do inimigo para saber a hora de curar, desviar, melhorar defesa ou outros tipos de reações. Pessoalmente falando, gostei mais do Beatspell do que da campanha em si, e adquiri um novo sonho impossível de que esse modo ganhe um jogo inteiro e completo no futuro (é, não vai rolar).
Mas existe outros modos, como “Rhythm Toy Box” que, como o nome diz, são brinquedos rítmicos, onde a ideia é apenas abrir, interagir, enjoar e fechar. Existem ainda outros modos extras, mas como eles não foram divulgados e estão trancados pela progressão do jogo, sinto que é melhor não revelar o que são, mas saibam que eles existem.
Também é importante falar do modo multiplayer pra até 4 jogadores, o que também é uma novidade. São 6 minijogos cooperativos e 4 competitivos, e que possuem 2 continuações. E exatamente por terem 2 continuações que esses minijogos acabam sendo muito bem desenvolvidos, num meio termo do “simples, mas diversos” da campanha, e o “único mas completo” do Beatspell.
Acertos e Erros
O grande acerto do jogo é, sem dúvidas, sua variedade e quantidade de conteúdo. São 80 minijogos na campanha (ou pelo menos 30 originais, sem as sequências e remixes), 30 no multiplayer, 9 capítulos do Beatspell e diversos “Toy Boxes”, fora outras surpresas não mencionadas na análise. Mas não é só uma questão de quantidade. Os minijogos são bons, os modos conversam entre si através das medalhas, e como mencionado, eles complementam a experiência um do outro. As músicas também são boas, como sempre, já que a série conta com o grande compositor japonês Tsunku, e o carisma dos minijogos é tamanho que jogá-los traz obrigatoriamente um sorriso ao jogador.
Já os problemas são também variados… Talvez o principal deles é que o jogo não te ajuda a melhorar. Ao jogarmos os minijogos, não existe uma indicação se um acerto imperfeito assim o foi por apertarmos rápido demais, ou atrasado demais. O único lugar que dá pra se ter essa noção é no Beatspell, mas isso não foi proposital, certamente. O jogo também exige uma precisão absurda para se considerar um acerto perfeito. E isso é um problema porque seu calibrador do modo TV não é bom, o que torna muito complicado jogar na TV, principalmente visando o alto desempenho; nesse sentido, o combo “portátil com fone cabeado” é quase obrigatório. A campanha é boa, mas, seguindo um problema comum à série, os minijogos não trazem senso de evolução. A sensação é que eles poderiam ser embaralhados porque o primeiro e o último não tem uma distância tão longa de dificuldade. Isso acontece porque o jogo se recusa a adicionar mais botões ou outras formas mais elaboradas de controle. Não existe uma mecânica realmente nova ao longo dos 80 minijogos. E por fim, por mais que o jogo tenha em sua essência a apresentação simplória, com desenhos simples, sem história, e etc; em alguns momentos, o jogo “se perde no personagem” nesse sentido, com menus feios e uma dublagem forçadamente parecida com uma IA.
Conclusão
Em suma, de um lado, Rhythm Heaven Groove expande de uma forma boa o conteúdo do jogo, e entrega uma experiência definitiva para a série, sem passar aquela sensação de “ficou faltando isso que espero ver numa sequência”. Não que o jogo seja perfeito, mas, como alguns problemas se mantém desde o primeiro jogo, como a falta de minijogos que exijam diversos botões, fica claro que, mesmo numa sequência esses problemas ainda estariam lá.
No geral, Rhythm Haven Groove é ambicioso dentro do seu mundo. Não é um tipo de jogo feito para ganhar as massas, prêmios e muito mais; porém, traz tudo aquilo que os fãs queriam num jogo para o Switch e extras incríveis. Considerando o fato de que a Nintendo lança pelo menos 10 jogos por ano, um deles ser uma versão tão completinha de uma série tão única, é mais do que válido.
Roteirista e integrante da equipe Coelho no Japão desde 2020. Comprou um WiiU por causa de Smash Utimate mesmo tendo acesso no 3DS...e não se arrependeu.
Adora ser caçador de jogos desconhecidos que ele jura que é bom, mas só ele gosta, os tais "PedrokaGames" segundo seus companheiros de equipe.
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