Review | Kamaeru: A Frog Refuge

1 semana atrás • Nintendo Boy • Via CoelhoNews.com: Seu agregador de notícias Nintendo
Desenvolvedora: Humble Reeds
Publicadora: Armor Games Studios
Gênero: Farm Sim, Cozy Game
Data de lançamento: 08 de Junho, 2024
Preço: R$ 59,99
Formato: Digital

Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Armor Games Studios.

Revisão: Davi Sousa

Vamos falar um pouco sobre exigência e expectativas, antes que comecemos a falar de Kamaeru: A Frog Refuge, certo? Por mais que se queira evitar, antes de começar qualquer jogo, uma expectativa se forma dentro da sua cabeça. São coisas simples: “Uau, o jogo parece bonito”; “Parece meu estilo”; “Parece ter uma jogatina legal”; etc.

Isso é como nós, humanos, compreendemos mídia, como interagimos com o que consumimos e gerimos nossas experiências. Chega um certo ponto no consumo e gerenciamento de expectativas em que o consumidor cria sua média, o que ele espera de um gênero ou estilo de jogo. O gênero em discussão neste texto é o de simulação de vida no campo. Esses jogos são conhecidos por serem experiências leves e tranquilas, os famosos cozy games, mas, quando falamos dessa maneira, um equívoco pode acabar surgindo na cabeça de um leitor ou alguém pouco habituado com esses jogos.

Primeiramente, estamos na maior leva que esse gênero teve desde, sei lá, o meio dos anos 2000, e se você, leitor, acompanha as Nintendo Directs mais atuais, então já foi inundado pela quantidade de opções, uma tentando superar a outra, com um fator ou outro que busca sobrepujar o anterior. Porém, quando esses fatores especiais esquecem do básico e o que torna o gênero um sucesso em primeiro lugar, é uma receita para a decepção ou surpresa. Infelizmente, Kamaeru cai no espaço da decepção.

Dentro da ideia de fazer um jogo relaxante com um fator próprio — neste caso, os sapos —, faltou lembrar que esses jogos são relaxantes por concederem aos jogadores liberdade de como eles tomarão o progresso do jogo, de forma que não haja pressão de tempo, e, caso exista, seja leniente o suficiente para ser ignorada. Kamaeru consegue ser relaxante, mas não pela liberdade, e sim pela espera. O jogo alterna entre downtime e tarefas, tornando a experiência geral tediosa.

Sapos & lagoas

Kamaeru: A Frog Refuge gira em torno de sapos: agradar os sapos, colocar móveis para os sapos, entregar comidas para sapos e gerenciar o bioma para os sapos.

Os sapos são devidamente fofos, goste você de sapos na vida real ou não (mas você deveria). Eles podem varias entre pinturas na pele e duas cores, iguais ou diferentes. O problema dessas variações é que elas são puramente cromáticas, não são diferentes tipos de sapo de uma forma anatômica ou sequer mecânica, pois todos eles oferecem a mesma recompensa quando são domados.

A diferença nas pinturas e cores dos sapos só aparecem quando o jogador precisa cruzar os bichinhos, onde as cores e pinturas serão colocadas como marcadores e o jogador irá jogar um minigame de jogo da velha contra a CPU, onde fazer uma linha completa irá garantir a característica para o novo sapo.

Características não garantidas serão randomizadas, o que é, de maneira cruel de dizer, péssimo. Caso o jogador faça uma reta por encruzilhada, ele garantirá apenas uma característica, e a CPU não joga para ganhar de você: ela é errática. Como o jogo diz, é a natureza, então não existe uma estratégia que o jogador possa desenvolver para garantir esses traços para conseguir novos sapos.

Para piorar tudo isso, esse minigame é completamente ofuscado, então é uma faca de dois gumes entre não precisar jogar um minigame chato e pensar no porquê dele existir, já que há formas muito melhores de garantir uma quantidade grande de sapos simplesmente esperando.

Downtime

Um dos elementos mais presentes que o jogador encontrará em Kamaeru é o tempo de inatividade. Os principais recursos produzidos no jogo são insetos para domar os sapos e frutas e vegetais para cozinhar e fazer dinheiro. Ambos se baseiam na customização do seu esconderijo, onde as plantas e lagoas colocadas irão, periodicamente, recompensar o jogador com um recurso.

Por conta disso, o jogador irá se dividir entre domar e customizar o esconderijo principal com móveis que atraem sapos e conseguir recursos para domar as criaturas. Em certos momentos, é possível domar vários sapos e customizar muito de seu esconderijo, mas quando esse dinheiro acabar, um novo grind começa, esperando por recursos para que o jogador possa prosseguir com os objetivos. A coleta de todos esses recursos é manual; logo, tratar Kamaeru como um jogo idle também é muito possível.

Com a conclusão dos objetivos, o jogador conseguirá novas formas de adquirir recursos. Este seria um trecho mais otimista desta seção da review, mas essas formas alternativas de conseguir novos recursos também se baseiam em esperar. Oh boy.

A primeira vista

Kamaeru não é feio: é simplista na medida certa, colorido e agradável, e, por sua simplicidade, não me vejo no direito de exigir mais animações dele. Seu real problema visual é não rodar muito bem, e arrastar grandes trechos da tela causa slowdowns momentâneos.

O retículo do jogo também acaba sendo inconsistente. Ele diminui e aumenta de tamanho, às vezes sem motivo nenhum, e não se modifica quando passa por cima de um objeto com o qual podemos interagir. Tive vários momentos de tentar interagir com um elemento do cenário apenas para topar com o menu errado ou com simplesmente nada. Ou seja, a informação visual do jogo em função da jogatina é porca.

Por fim, eu gostaria de retornar aos sapos, que, como mencionei anteriormente, só têm diferenças cromáticas, e isso é um pouco decepcionante. Sapos, como uma espécie, são muito variados, com tantas características distintas, e o jogo colocar em si algumas lições de biologia, já que o sapo, como figura, é frente, centro e título, acrescentaria uma influência maior ao jogador para coletar e domar os sapos do que simples fotos e cores diferentes.

Conclusão

Kamaeru: A Frog Refuge não é um jogo ruim, é um jogo decepcionante. Na tentativa de ser mais um título relaxante de gerenciamento de campo, ele acaba cometendo os pecados que outros já cometeram, e não inova o suficiente para justificar sua própria existência. Ele não é o primeiro que utiliza sapos, e certamente não será o último.

Isso não coloca ele com jogos que eu consigo odiar por linhas e linhas de texto, nem terá uma nota ridícula de baixa, mas é tudo uma questão de perspectiva e expectativa. Dentre liberdade e opções, o que eu mais temo é que, por descuido, esse gênero suma mais uma vez, pela soberba de imaginar que um jogo relaxante é o mesmo que um jogo com pouco conteúdo — ou, neste caso, apenas tedioso.

É compreensível entender que o Nintendo Switch é um console perfeito para esse tipo de jogo. A portabilidade e facilidade de uso fazem com que jogos como Kamaeru caibam como luvas na biblioteca do sistema, mas é prudente que desenvolvedores tenham noção: se você é mais um entre muitos, é necessário entender que não é uma lagoa tranquila na qual se está mergulhando. Ela não é tão espaçosa, e todos os outros ao seu redor irão criar pressão.

Prós:

  • Adere à proposta do gênero;
  • Visualmente atraente;
  • Disponível em português.

Contras:

  • Sistematicamente tedioso;
  • HUD pouco intuitiva.

Nota:

6

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