Dragon’s Dogma 2 será lançado para Nintendo Switch 2 no dia 09 de Outubro. É uma adaptação para o console instigante, pois a versão original do jogo de 2024, chegou com alguns problemas pra plataformas poderosas como Playstation 5 e Xbox Series X.
Pensar na possibilidade de trazer um jogo assim, para o Switch 2 e rodando em 60 quadros por segundo, parece loucura, não? Mas, de certa forma, é real, graças à uma tecnologia que a Capcom implementou, e ela simplesmente aponta uma nova direção de possibilidades pra jogos cada vez mais pesados, rodarem no Switch 2, e rodarem de forma MUITO satisfatória.
Sobre o jogo
Dragon’s Dogma 2 é um RPG de ação em mundo aberto, e algumas das suas propostas tornam o port ainda mais difícil de se fazer.
Uma característica essencial do jogo é que você, por ser um Nascen, consegue invocar guerreiros chamados de “peões” de uma fenda; além de rapidamente ter prestígio para recrutar guerreiros independentes encontrados pelo mapa. Então, uma das propostas do jogo é deixar sempre nosso personagem com outros personagens rotativos, e às vezes isso cria uma situação onde muitos aliados enfrentam muitos inimigos ao mesmo tempo. E isso peso no hardware. É um jogo que você vai mudando a party, criando avatares de outras classes desses peões, ou mercenários que tem uma habilidade específica, etc.
Outra característica é que o mundo do jogo é bastante vivo, então, se você descansar numa fogueira (o tradicional “rest” nos jogos), se a área não estiver segura, um grupo inimigo pode te encontrar; ou então numa viagem rápida de carroça, novamente, não necessariamente você só será teleportado instantaneamente, o jogo segue “calculando a viagem”, e pode interrompê-la com possíveis encontros inimigos. Por fim, no combate, além de ser tudo em tempo real, outra mecânica amada é a de interações com o mundo, desde conseguir arremessar objetos (e até inimigos menores) pra dar dano, até se agarrar e escalar nos chefes altos. E essa é uma mecânica muito dahora, porque às vezes o ponto fraco de um inimigo tá num local difícil de acertar com você no chão.
O jogo teve uma boa recepção, mas…abaixo do que a Capcom tem conseguido nos títulos mais recentes. Muita gente até dizia que esse jogo era o ponto baixo dela nos últimos anos (o que é absurdo pensar que talvez seja verdade, dado o nível alto que ela tem atingido). Nisso, a empresa decidiu lançar essa nova versão intitulada “Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen”, então, o switch 2 está recebendo essa versão definitiva do jogo junto de todo mundo. Ela adiciona uma grande nova área de neve explorável, 12 desafios especiais de dungeon, mais missões, inimigos, etc. Além disso, uma das características desse jogo é… vamos assim dizer, “não te dar moleza”. Tem várias mecânicas propositalmente não práticas (como a citada de viajar numa carroça, mas ser interrompido). Só que nisso, algumas decisões ficaram, chatas para alguns jogadores. Então, agora, por exemplo, você tem uma opção de fast travel permanente (como é na maioria dos jogos), embora, a Capcom só reconheça que muitos acharam frustrante, mas ela ainda recomenda que se jogue com o fast travel comum, que exige um item específico limitado.
Rodando no Switch 2
É inevitável discutir sobre a performance do jogo no Switch 2, sem mencionar e explicar o feito da “sensação 60 fps” que ele dá, então, vamos entender o que está acontecendo:
Dragon’s Dogma 2 está usando uma tecnologia chamada “frame-generation”. O que acontece é que ele assimila o jogo rodando numa taxa de quadros por segundo, e usando Inteligência Artificial, cria quadros extras faltantes. Imagine que você tem uma animação onde o braço sai do lugar 1, pro lugar 3; essa tecnologia pega esse 1 > 3 e simula uma animação extra, no lugar 2, assim deixando o todo mais completo e fluído. Então, não são 60 quadros por segundo reais/nativos, mas funciona muito, muito bem. Esse recurso pode ser desligado. O jogador também pode escolher entre manter 30 quadros por segundo como teto, ou uma taxa variável acima dos 30. Na prática, o modo 30 fps com frame-gen, fica MAIS FLUÍDO do que o variável sem frame-gen! E o variável com frame-gen é quem deixa o jogo com essa sensação de 60 fps. Foi muito bem implementada essa tecnologia, porque é claro que ela traz (ou deveria trazer) alguns contras. Em tese, isso deixa o ghosting na tela mais suscetível a acontecer, e aumenta input lag também. Mas aqui, ambos são praticamente imperceptíveis.
Falando sobre visuais, a vegetação ainda é absurda, número de elementos na tela, qualidade de várias texturas, boa iluminação, efeitos das magias, tudo está muito bem aqui. No modo portátil, aí sim, você já começa a notar perdas maiores de visuais, mas ainda fica um mundo muito bem detalhado, boa iluminação, e só a resolução que você sente cair, ou umas texturas mais prejudicadas. Ainda tá na esfera de impressionar e muito, mas no modo dock impressiona mais.
Pra não dizer que a adaptação está perfeita, existem sim alguns pontos de melhoria. Principalmente no modo 60fps, em transição de cenas, acontece com alguma frequência um delay na renderização. Além disso, os personagens em si, o rosto, tem ali uma resolução mais baixa. E vale o aviso: sim, mesmo com o frame-gen ligado, terão momentos que a taxa de quadros vai variar, apresentar quedas. Não é “60 no talo o tempo todo”. Mas até “esses dias” não era estável o tempo todo em lugar nenhum, então, não é um problema do Switch 2.
Veredito
Depois de jogar vários dos jogos pesados do Switch 2, “Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen” se mostra um forte candidato à melhor port do console até hoje, ou pelo menos em relação aos outros jogos japoneses. É o único do país que rivaliza com gigantes ocidentais como Cyberpunk 2077, Star Wars Outlaws e Diablo 4. Mas mesmo entre esses, só Dragon’s Dogma 2 está em 60 quadros por segundo, mesmo que usando frame-generation.
É uma versão que está ensinando a indústria como colocar um jogo de mundo aberto, “next-gen”, cheio de coisas ao mesmo tempo, e em 60 quadros por segundo, mesmo que de forma não nativa. E tudo isso num jogo com português do Brasil, cobrando R$242 num excelente RPG que já tinha muito conteúdo, e agora pode passar de 100 horas com facilidade.
Resumo: Tá valendo MUITO a pena jogar Dragon’s Dogma 2 no Switch 2.
Gift Card eShop R$30
S
Tier de Experiência
Plataforma:
Lançamento:
Português:
Prós
Port excepcional com o uso do Frame-Gen, dando sensação de 60fps
Mundo vivo e sistema de companheiros extremamente divertido
Roteirista e integrante da equipe Coelho no Japão desde 2020. Comprou um WiiU por causa de Smash Utimate mesmo tendo acesso no 3DS...e não se arrependeu.
Adora ser caçador de jogos desconhecidos que ele jura que é bom, mas só ele gosta, os tais "PedrokaGames" segundo seus companheiros de equipe.
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