Um dos jogos indies mais aguardados de Agosto chega hoje ao Switch 2 e demais plataformas: Duskfade é um charmoso jogo de ação e plataforma, inspirado na era de ouro do estilo da virada do século, Playsation 1 e 2, e especialmente, Kingdom Hearts.
A direção de arte e a semelhança com os clássicos chamaram a atenção rapidamente, principalmente para os adultos que eram criança ou adolescente nesse período, o que me inclui. Porém, após algumas horas com o jogo, entretanto, eu preciso ser honesto: eu queria ter gostado mais do jogo.
Como Funciona
A ideia do jogo é bem simples: após um luto do avô relojoeiro não resolvido, a irmã do nosso protagonista, Zirian, tenta mexer com magia e acaba criando “uma confusão da pesada”, mexendo em toda a estrutura da cidade, que agora parece com aquele cenário místico, típico de chefe final de RPG japonês. É um jogo inspirado em Kingdom Hearts, então, a ideia de ambientação de “mundos colididos” faz muito sentido. A missão do Zirian é basicamente achar e salvar sua irmã.
O jogo é extremamente direto ao ponto: seguir em frente, explorar um mapa linear mas extenso para os lados e cheio de segredos; olhar nos arredores em busca de coletáveis, moedas e itens de recuperação de vida; e enfrentar inimigos no caminho, além, claro, de chefes.
O sistema de combate é de ação, e possui um cuco ajudante, que dá ali e aqui um dano. Tanto sua espada quanto o cuco, possuem melhorias pra se adquirir com o tempo.
Tanto a exploração extra quanto a principal incluem muitos trechos de plataforma, e claro, usam a física leve (do termo muito usado, “float”) de Kingdom Hearts, com 2 pulos e um avanço que pode ser feito no ar.
O Bom e o Ruim
Definitivamente, a melhor parte do jogo é sua direção de arte, com foco na ambientação. Se o que te chamou a atenção nele foi isso, saiba que não tem propaganda enganosa; o jogo realmente adora te fazer parar e dar uma olhada no cenário por um tempo.
O sentimento de homenagem à época que ele quer referenciar, também é bem feito e captura a nostalgia facilmente. Desde a estrutura dos cenários, câmera, combate… Tudo tem um sentimento de essência clássica.
E é por isso que Duskfade é um bom jogo. Mas que para no “bom”. Infelizmente, fora desses elementos, todos os outros começam a declinar.
O combate não é refinado o suficiente para o tanto de ação que o jogo traz. Assim como ele peca na variedade de inimigos, então, você se sente enfrentando a mesma horda muitas vezes.
Os inimigos em si, possuem um conceito de “espírito roxo” que é interessante, mas exagerado. O resultado é que eles se parecem muito uns com os outros, e eles já não são muitos…
A trilha sonora, busca r é inconstante. Alguns bons momentos, e outros parecem vir de qualquer jogo mobile genérico existente por aí. Claro que é difícil se espelhar na Square Enix que tem alguns dos melhores compositores da história dos videogames, mas era essencial ter uma trilha consistente justamente por isso.
O sound design parece dessincronizado com animações de ataque.
E os NPCs são mal desenvolvidos. Eu não me lembro de nenhum personagem fora da dupla protagonista, por exemplo.
Quem fica no meio termo é a gameplay de plataforma. Ela é boa, gostosa, e quem te segura no jogo, que sim, é fácil de perder umas horas jogando por estar se divertindo. A física é gostosa e exige bem a junção de pulos e avanços. Só que esse jogo não é de plataforma, e talvez se fosse seria melhor.
Conclusão
Em geral, o Duskfade mira alto em se apresentar como “KingdomHeart-like” e paga um preço por isso. Em termos visuais, o jogo consegue ser a versão indie da franquia; em termos de plataforma, não tanto mas ainda é bom o suficiente; em termos de combate, a falta de refinamento tira pontos do jogo; e em termos de trilha, a referência passa longe.
O jogo está em português e tem um valor de R$85. Vale a pena? Sim, para todos, numa realidade onde todos podem jogar muitos jogos por ano. Como essa não é a nossa realidade, a recomendação fica para o grupo específico que ele quer atingir, de fãs de jogos da era PS1 e PS2, e em especial Kingdom Hearts.
Roteirista e integrante da equipe Coelho no Japão desde 2020. Comprou um WiiU por causa de Smash Utimate mesmo tendo acesso no 3DS...e não se arrependeu.
Adora ser caçador de jogos desconhecidos que ele jura que é bom, mas só ele gosta, os tais "PedrokaGames" segundo seus companheiros de equipe.
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