Mario Kart World chega com um peso enorme sobre os ombros: abrir a geração do Nintendo Switch 2 e suceder Mario Kart 8, um jogo considerado por muitos o ápice da franquia. Depois de mais de 10 anos sem um título completamente inédito, qualquer movimento da Nintendo seria analisado com lupa — e World sabia disso desde o primeiro momento.
A boa notícia? Ele ousa. A má notícia? Nem sempre acerta. Depois de mais de um mês jogando intensamente todos os modos, pistas, intermissions e experimentando o multiplayer, Game Chat e o tão comentado Free Roam, reunimos aqui nossa análise completa para entender se Mario Kart World realmente representa o futuro que a série precisava.
O nome do jogo sugere o que ele realmente entrega: não um mundo aberto tradicional, mas um “mundo conectado”. A Nintendo foi clara ao explicar que não buscou criar algo ao estilo Burnout Paradise ou Forza Horizon. Em vez disso, ela costura todas as pistas dentro de um mundo coeso — com florestas, gelo, vulcão, cidades, desertos — unido por rotas transitáveis, as chamadas intermissions.
Na prática, essas intermissions são pequenas pistas que ligam uma corrida à outra, tornando o trajeto parte da experiência. Para dar vida a essas ligações, a Nintendo dobrou o número de corredores (agora são 24) e introduziu mecânicas de truques e manobras que transformam até uma estrada simples em um playground vertical onde paredes, trilhos, carros, postes e até árvores viram rampas improvisadas para ganhar turbo.
Esses trechos conectados adicionam caos e um toque quase de “sobrevivência”, já que há trânsito, inimigos, ataques constantes e um ambiente muito menos controlado do que as pistas clássicas de três voltas. É a tentativa mais ousada já feita pela série — e, quando funciona, realmente refresca o gameplay.
Modos de jogo: variedade é o que não falta
Mario Kart World chega recheado de modos, alguns tradicionais, outros inéditos:
Grand Prix
Agora, cada torneio começa com uma corrida tradicional de três voltas e segue com uma sequência de intermissions que levam até uma pista para uma única volta. A estrutura dialoga diretamente com a proposta do mundo conectado.
Eliminatória (Knockout Tour)
Talvez o melhor modo novo. Uma corrida contínua onde jogadores são eliminados ao longo do percurso até restarem apenas quatro para a disputa final. É tenso, divertido, imprevisível — e um dos grandes acertos do jogo.
Modo Livre (Free Roam)
Aqui o jogador pode circular livremente pelo mundo, encontrando:
Botões-P, que liberam desafios rápidos;
Painéis de interrogação, colecionáveis espalhados pelo mapa;
Medalhões da Peach, puzzles de exploração;
Veículos especiais escondidos.
É um modo que expande a fantasia de “explorar o mundo de Mario Kart”, mas sem história, progressão, NPCs ou recompensas estruturadas, ele acaba funcionando mais como um descanso entre as corridas do que como um verdadeiro modo aventura.
Demais modos
Batalha caótica com 24 corredores
Contrarrelógio com fantasmas dos melhores jogadores
Confronto, que permite personalizar regras e pistas
Multiplayer local para até 4 jogadores
Multiplayer online — ainda limitado e raso
A grande ausência? Game Share, surpreendentemente não compatível com o jogo.
O que Mario Kart World acerta
Um mundo lindo e coerente
O visual do jogo presta serviço total ao Switch 2, com HDR, texturas melhores e cenários impressionantes. Não é uma revolução em relação ao 8 — que já era lindíssimo — mas a evolução existe, especialmente na forma como o mundo parece vivo e interligado.
A trilha sonora é absolutamente fenomenal
A Mario Kart Band volta mais afiada do que nunca. São mais de 200 músicas, com remixes grandiosos de praticamente todo o universo Mario. É difícil dizer isso, mas a qualidade dos arranjos faz com que Mario Kart World ultrapasse até Smash Bros. em termos de consistência sonora. Nas intermissions e no Free Roam, a trilha alcança seu ápice, com remixes que beiram o absurdo de tão bem trabalhados.
Truques e manobras dão profundidade real à jogabilidade
Não é só frescura visual: aprender a usar paredes, trilhos e elementos do cenário como impulso rende momentos incríveis e desafios genuinamente criativos, principalmente nas missões dos Botões-P.
Eliminatória é, sem dúvidas, uma das melhores ideias da série
A progressão natural — onde jogadores ruins caem e os bons crescem — cria uma sensação de evolução raramente vista em Mario Kart. No online, então, o modo é praticamente obrigatório.
Game Chat funciona — e isso muda tudo
Pela primeira vez, a Nintendo entregou um sistema nativo de voz realmente funcional, prático e integrado ao console e ao aplicativo. Isso transforma completamente as partidas em grupo. Risos, provocações, reações instantâneas — Mario Kart sempre foi um jogo social, e agora ele finalmente trata isso com a seriedade que merece.
O que não funciona em Mario Kart World
Se Mario Kart World é ambicioso, ele também é incompleto — às vezes, decepcionantemente.
O Modo Livre não realiza seu potencial
Ele é divertido, mas raso. Sem história, sem progressão, sem NPCs relevantes, sem recompensas por dominar missões — nada leva o jogador adiante. Num mundo tão rico, é frustrante ver apenas um modo de “passeio descontraído” quando o jogo poderia ter oferecido um verdadeiro modo aventura, como Mario Kart DS fez anos atrás, mas evoluído.
Recursos ausentes sem motivo claro
O jogo simplesmente não traz:
200cc
Modo jukebox
Ajuste de volume detalhado
Grande Prêmio online
Rankings ou ligas
Game Share
São ausências que soam mais como retenção de conteúdo para futuras atualizações do que decisões de design — e isso pesa negativamente num lançamento.
Intermissions não agradam a todos
Muitos jogadores queriam uma opção de correr apenas pistas de três voltas online, mas isso não é possível. E a Nintendo ainda não comentou sobre isso, gerando polêmica.
Truques que mais atrapalham do que ajudam
Algumas manobras são difíceis demais ou mal implementadas, prejudicando a performance do jogador. Incluir possibilidades que não funcionam bem acaba gerando frustração no meio da corrida.
O online segue básico
Apesar do Switch 2, Mario Kart World não oferece nada além do básico: pontuação sobe e desce, partidas rápidas e só. O modo Eliminatória funciona bem, mas também não tem ligas, rankings ou progressão estruturada.
Preço: uma polêmica inevitável
Mario Kart World inaugura o padrão de 80 dólares para jogos Nintendo, justificável no bundle do Switch 2, que encarece o pacote em apenas 50 dólares a mais. Mas sozinho, o preço não reflete totalmente o conteúdo atual — especialmente considerando ausências claras e funcionalidades que parecem reservadas para atualizações futuras.
No Brasil, a boa notícia é que a mídia física está mais vantajosa, frequentemente com descontos de 80 reais ou mais. Para quem ainda vai comprar, o bundle continua sendo a forma mais lógica de adquirir o jogo sem sentir o impacto dos 80 dólares.
Mas e aí, vale a pena jogar Mario Kart World no Nintendo Switch 2?
Mario Kart World é um jogo ambicioso, criativo e visualmente encantador, com novidades suficientes para marcar um novo capítulo da série — mas também carrega falhas que impedem que ele alcance o patamar histórico de Mario Kart 8.
O modo Eliminatória é brilhante, o mundo conectado é promissor e as novas manobras realmente renovam a jogabilidade. Por outro lado, ausências importantes e decisões estranhas deixam claro que o jogo não é tudo o que poderia ser no lançamento.
Ainda assim, o potencial está aqui — e muito. Se a Nintendo ouvir a comunidade e continuar expandindo o jogo com atualizações gratuitas, Mario Kart World pode sim se tornar o grande ícone da era Switch 2.
No estado atual? É imperfeito, mas apaixonante. Com erros, mas cheio de futuro. E mesmo distante da perfeição do 8, já consegue conquistar pelo que ousa fazer — abrindo caminhos que a série precisava trilhar há anos.
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Análise em texto elaborada com base no roteiro do vídeo produzido por Pedroka, contando com revisão e aprovação de Rodrigo Coelho.
Mario Kart World
8.5
Nota Técnica
S
Tier de Experiência
Plataforma:
Nintendo Switch 2
Lançamento:
5 de junho de 2025
Português:
Sim
Prós
Mundo conectado belíssimo e coeso
Trilha sonora espetacular com mais de 200 arranjos
Modo Eliminatória viciante e inovador
Truques e manobras que ampliam o gameplay
Game Chat transforma o multiplayer em algo muito mais divertido
Contras
Modo Livre sem progressão, história ou propósito real
Ausência de 200cc e modo jukebox
Multiplayer online básico e sem ligas
Truques inconsistentes que prejudicam desempenho
Intermissions obrigatórias no online limitam a liberdade do jogador
Integrante da equipe Coelho no Japão, produtor de conteúdo sobre games e treinador Pokemón desde os 6 anos (sem revelar idade por aqui, galera).
Suas franquias favoritas são Super Mario e Zelda e é time Nintendo – mas nem por isso deixa de jogar todos os exclusivos da Sony.
Tem amor por jogos de mídia física e coleciona mais HQ’s de Spider-Man do que cabe no armário de casa.
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